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Delegada Clarissa Barbosa fala sobre a importância do Outubro Rosa

08 de Outubro de 2015

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Formada em dezembro de 1995, em Salvador onde nasci, e apaixonada por Ciências Jurídicas, fui servidora pública do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia por onze anos, sem nem desconfiar que minha vocação me levaria para bem mais longe. Em 2005, durante um passeio com amigos, conheci Aracaju e defini, de uma vez por todas, que era aqui que desejava viver.

 

Despretensiosamente prestei concurso para Delegado de Polícia em 2006, sem nunca ter pensado em trabalhar na Polícia. Não sabia eu que, ao ingressar na Academia, finalmente me encontraria em um mundo totalmente desconhecido. Foi uma revolução. De conhecimento técnico, de amizades verdadeiras, de realidade gratificante. Antes mesmo de concluir o curso, todas as dúvidas já estavam dissipadas. Sim, seria na carreira policial que realizaria a minha missão na vida: servir ao próximo na construção de um mundo melhor. Tive a sorte de começar a carreira na Delegacia Regional de Nossa Senhora da Glória, na qual o espírito de compromisso com o trabalho e gentileza no tratamento refletia no bom andamento do serviço e me oportunizou conhecer a alma sertaneja.

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A labuta ao lado dos colegas e daquele povo singular fortaleceu as minhas convicções e me fez amadurecer como delegada e principalmente como pessoa. Depois de ter titularizado outras tantas unidades, já com 40 anos, naquela fase em que a vida parece amornar à meia idade, eis que me surge, num desses maravilhosos revezes, uma grande oportunidade de renovação. Em setembro de 2014, durante o autoexame de rotina, percebi um caroço na mama direita. Passei o dia observando a textura e pensando nas possibilidades.

 

Dias depois, no consultório de um desses anjos que brotam no mundo para nos ajudar – e no meu caso foram muitos, as suspeitas de malignidade foram confirmadas. O diagnóstico de câncer é sempre um choque. Mas não dá para fazer de conta que aquele caroço crescendo não existe ou pedir para o mundo parar para você descer. Vai ter que encarar. Como vai encarar é que faz toda a diferença. Da descoberta à cirurgia foram três semanas. E desta à primeira das quatro sessões de quimioterapia, mais um mês. E depois mais 30 sessões de radioterapia. Tudo isso com direito a queda de cabelo, baixa de imunidade, náuseas, afastamento do trabalho e do lazer e da minha casa – já que tive que me tratar em Salvador, quando Sergipe já é meu lar. Percebi que a vaidade não vai segurar a minha mão durante uma tontura; que o orgulho não dura a terceira noite depois da químio; e que o olhar de piedade é o disfarce que o amor usa para aproximar as pessoas; que a humildade é prima-irmã da resignação e que a oração é a maior prova de amizade que alguém pode lhe oferecer.

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No fim, há mais lados positivos do que se imagina nesse caso: o lado humano e caridoso da vida ganha cores antes inimagináveis. Fui cercada por pessoas de uma amorosidade incrível. Familiares, amigos, vizinhos, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, outros pacientes e até estranhos. Era fácil ler o amor nos olhos deles. Nos momentos difíceis, e não foram poucos, a fé em Deus e a lembrança daqueles que nos amam são o bálsamo que precisamos para suportar sempre um pouco mais.

 

Passada a grande turbulência, percebo que aprendi muito e que, sem querer, também ensinei. Somos responsáveis pelo nosso corpo físico, ele é o nosso instrumento nesta vida. Campanhas como a do Outubro Rosa e Novembro Azul são importantes para nos fazer voltar os olhos para nós mesmos e até nos amar um pouco mais. Essa ideia, felizmente comprada por boa parte da sociedade, ilustra a preocupação com a saúde de mulheres e homens, visando melhorar a qualidade de vida e minimizar os possíveis efeitos de um diagnóstico assustador.

 

 Em todos os lugares surgem iniciativas alertando mulheres sobre a necessidade dos cuidados com sua saúde. Clínicas fornecem exames, lojas oferecem descontos, escolas e faculdades expõem palestras sobre o assunto, tudo para acentuar a campanha.  Assim, como apoio efetivo à campanha deste mês, quando completo um ano da descoberta e da cirurgia, os amigos com quem corro há dois anos juntaram-se a mim para fortalecer a luta pela prevenção do câncer de mama. Fizemos uma camisa para correr a Meia-Maratona da Bahia e, no domingo, 04/10, distribuímos cerca de mil lacinhos cor-de-rosa a fim de conscientizar a população para o cuidado com a saúde e a prevenção do câncer de mama. Vejo que aquele diagnóstico precoce me curou: do preconceito, do medo, da vida vivida pela metade, da perda de tempo com coisas vazias. Para comemorar Um dos meus médicos me disse uma frase que virou meu mantra: “acordou? Está se sentindo bem? Então não perca tempo e vá viver”. E aqui estou, pronta para renascer todos os dias.